Psiquiatria clínica: utilização de antipsicóticos de segunda geração no tratamento de episódios depressivos resistentes em transtorno bipolar tipo I

Autores

  • Beatris Rabelo Maia Centro Universitário Christus, Fortaleza, Ceará
  • Filipe Marques Rodrigues Faculdade da Saúde e Ecologia Humana, Vespasiano, Minas Gerais
  • Amanda Moreira Lima Faculdade da Saúde e Ecologia Humana, Vespasiano, Minas Gerais
  • Gabriela Candida de Albuquerque Carbone Universidade Potiguar, Natal, Rio Grande do Norte
  • Ana Beatriz da Silva Batista Centro Universitário Santa Maria, Cajazeiras, Paraíba
  • Débora Pimenta Alves Faculdade de Minas, Belo Horizonte, Minas Gerais
  • Joseane Elizabete Nunes Universidade Estácio de Sá, Presidente Vargas, Rio de Janeiro
  • Laureane Silva Leal Universidade Federal de Uberlandia, Umuarama, Paraná
  • Joyce de Almeida Nogueira Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, Minas Gerais
  • Brida Magalhães Teixeira Macedo Universidade Federal de Campina Grande, Cajazeiras, Paraíba

Resumo

Este estudo abordou a utilização de antipsicóticos de segunda geração no tratamento de episódios depressivos resistentes em pacientes com transtorno bipolar tipo I, uma condição psiquiátrica caracterizada por episódios alternados de mania e depressão. O transtorno bipolar tipo I, especialmente em sua fase depressiva, apresenta problemas terapêuticos, principalmente quando os episódios depressivos se mostram resistentes às abordagens convencionais, como o uso de estabilizadores de humor e antidepressivos. Diante disso, o problema investigado neste trabalho foi a eficácia dos antipsicóticos de segunda geração na modulação dos sintomas depressivos resistentes, considerando as limitações e os riscos associados aos tratamentos tradicionais. Neste contexto, o objetivo deste estudo foi analisar a eficácia desses medicamentos na redução dos sintomas depressivos em comparação com outras abordagens terapêuticas, além de avaliar os riscos e benefícios associados ao seu uso. A metodologia adotada baseou-se em uma revisão de literatura, com a análise de estudos clínicos, meta-análises e diretrizes clínicas publicadas nos últimos dez anos, abrangendo as principais bases de dados científicas. Foram considerados critérios de inclusão e exclusão para assegurar a relevância e a qualidade das evidências selecionadas. Os resultados obtidos indicaram que os antipsicóticos de segunda geração, especialmente quetiapina, olanzapina e aripiprazol, demonstraram eficácia na redução dos sintomas depressivos em pacientes com resistência ao tratamento, superando algumas das limitações dos estabilizadores de humor e dos antidepressivos. Contudo, os riscos metabólicos e outros efeitos colaterais associados ao seu uso exigem uma avaliação individualizada para maximizar os benefícios terapêuticos e minimizar os danos potenciais. Dessa forma, concluiu-se que os antipsicóticos de segunda geração são uma opção terapêutica importante no manejo dos episódios depressivos resistentes, embora sua utilização deva ser adaptada às necessidades individuais dos pacientes, considerando-se os potenciais riscos e a necessidade de monitoramento contínuo.

Referências

ALMEIDA, M. E. A. O uso clínico de estabilizadores de humor em pacientes com transtorno bipolar. Repositório Institucional da Unifip, v. 8, n. 1, 2023.

ATAGÜN, M. I.; TIMUÇIN, O. R. A. L. Acute and long term treatment of manic episodes in bipolar disorder. Archives of Neuropsychiatry, v. 58, n. Suppl 1, p. S24, 2021.

AZORIN, J.M.; SIMON, N. Dopamine receptor partial agonists for the treatment of bipolar disorder. Drugs, v. 79, p. 1657-1677, 2019.

BERLACH, D. M. et al. The Efficacy of Electroconvulsive Therapy and Repetitive Transcranial Magnetic Stimulation for Bipolar Depression: A Systematic Review. The Journal of ECT, v. 36, n. 2, p. 128-135, 2020.

BOSAIPO, N. B.; BORGES, V. F; JURUENA, M. F. Transtorno bipolar: uma revisão dos aspectos conceituais e clínicos. Medicina (Ribeirão Preto), v. 50, n. 1, p. 72-84, 2017.

CALABRESE, J. R. et al. Quetiapine monotherapy and adjunctive therapy in the treatment of bipolar I and II depression: a double-blind, placebo-controlled study. The American Journal of Psychiatry, v. 162, n. 7, p. 1351-1360, 2005.

CARVALHO, A. F. et al. Vortioxetine as a treatment for major depressive disorder and bipolar depression: a systematic review. Journal of Affective Disorders, v. 262, p. 44-52, 2020.

CIPRIANI, A.et al. Lithium in the prevention of suicide in mood disorders: updated systematic review and meta-analysis. BMJ, v. 346, p. f3646, 2013.

CORRELL, C. U. et al. Effects of antipsychotics, antidepressants and mood stabilizers on risk for physical diseases in people with schizophrenia, depression and bipolar disorder. World psychiatry, v. 14, n. 2, p. 119-136, 2015.

EL-MALLAH, A. et al. Aripiprazole as an adjunct to escitalopram for patients with major depressive disorder partially responsive to antidepressant monotherapy: a placebo-controlled study. The Journal of Clinical Psychiatry, v. 71, n. 5, p. 522-529, 2010.

GRANDE, I. et al. Bipolar disorder. The Lancet, v. 387, n. 10027, p. 1561-1572, 2016.

HARRISON, P. J. et al. Innovative approaches to bipolar disorder and its treatment. Annals of the New York Academy of Sciences, v. 1366, n. 1, p. 76-89, 2016.

HETT, D; MARWAHA, S. Repetitive transcranial magnetic stimulation in the treatment of bipolar disorder. Therapeutic advances in psychopharmacology, v. 10, p. 2045125320973790, 2020.

KARANTI, A. et al. Changes in mood stabilizer prescription patterns in bipolar disorder. Journal of affective disorders, v. 195, p. 50-56, 2016.

KISHI, T. et al. Mood stabilizers and/or antipsychotics for bipolar disorder in the maintenance phase: a systematic review and network meta-analysis of randomized controlled trials. Molecular psychiatry, v. 26, n. 8, p. 4146-4157, 2021.

KUMBIER, E. History of Antipsychotics. NeuroPsychopharmacotherapy, p. 1-14, 2020.

PERROTTA, G. Bipolar disorder: definition, differential diagnosis, clinical contexts and therapeutic approaches. J Neuroscience and Neurological Surgery, v. 5, n. 1, 2019.

RICHARDSON, T.; MACALUSO, M. Clinically relevant treatment considerations regarding lithium use in bipolar disorder. Expert opinion on drug metabolism & toxicology, v. 13, n. 11, p. 1105-1113, 2017.

SACCHET, M. D. et al. Antidepressant efficacy in bipolar depression: A meta-analysis and meta-regression of randomized, double-blind, placebo-controlled trials. The Lancet Psychiatry, v. 2, n. 2, p. 118-127, 2015.

SAJATOVIC, M. et al. Symptom severity, self‐reported adherence, and electronic pill monitoring in poorly adherent patients with bipolar disorder. Bipolar disorders, v. 17, n. 6, p. 653-661, 2015.

SCHÄFER, M.; BRANDL, E. J.Mood stabilizers: valproate. NeuroPsychopharmacotherapy, p. 1-9, 2020.

SOLMI, M.et al. Safety, tolerability, and risks associated with first-and second-generation antipsychotics: a state-of-the-art clinical review. Therapeutics and clinical risk management, p. 757-777, 2017.

SPIEGEL, J. C.; KENNY, J. M. Psychiatry Test Preparation and Review Manual E-Book: Psychiatry Test Preparation and Review Manual E-Book. Elsevier Health Sciences, 2016.

STEARDO, L. et al. Efficacy of the interpersonal and social rhythm therapy (IPSRT) in patients with bipolar disorder: results from a real-world, controlled trial. Annals of general psychiatry, v. 19, p. 1-7, 2020.

STROUP, T. S.; GRAY, N. Management of common adverse effects of antipsychotic medications. World Psychiatry, v. 17, n. 3, p. 341-356, 2018.

TOHEN, M. et al. Olanzapine plus fluoxetine for the treatment of bipolar depression: a 6-week, randomized, double-blind, placebo-controlled study. The American Journal of Psychiatry, v. 160, n. 12, p. 2064-2071, 2003.

VAN DER LINDEN, G. J. et al. Medication adherence in patients with bipolar disorder: The role of medication beliefs and illness perceptions. Journal of Affective Disorders, v. 166, p. 204-212, 2014.

WILLIAMS, A. J. et al. Risk factors associated with antidepressant exposure and history of antidepressant-induced mania in bipolar disorder. The Journal of clinical psychiatry, v. 79, n. 3, p. 913, 2018.

Downloads

Publicado

2024-08-26

Como Citar

Maia, B. R., Rodrigues, F. M., Lima, A. M., Carbone, G. C. de A., Batista, A. B. da S., Alves, D. P., … Macedo, B. M. T. (2024). Psiquiatria clínica: utilização de antipsicóticos de segunda geração no tratamento de episódios depressivos resistentes em transtorno bipolar tipo I. Revista Coopex., 15(3), 6201–6218. Recuperado de https://editora.unifip.edu.br/coopex/article/view/467

Edição

Seção

Artigos

Categorias