CORRELAÇÃO DOS NÍVEIS DE INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL COM O PERFIL DE QUALIDADE DE VIDA DE CRIANÇAS COM DISTÚRBIOS NEUROLÓGICOS: ESTUDO TRANSVERSAL
Palavras-chave:
Crianças, Desenvolvimento motor típico, Distúrbios neurológicos, Independência funcional, Qualidade de vidaResumo
O desenvolvimento motor típico pode ser conceituado como um processo de aquisições motoras
alicerçadas à maturação do Sistema Nervoso Central (SNC), estando os distúrbios neurológicos
diretamente relacionados a déficits motores e cognitivos que afetam, principalmente, a
funcionalidade desses indivíduos. A Qualidade de Vida (QV) é todo e qualquer aspecto
relacionado ao bem-estar do indivíduo, no âmbito físico, psicológico, social e ambiental. O
instrumento CPCHILD foi desenvolvido com o objetivo de atender a falta de uma ferramenta
apropriada para mensurar a QV de crianças com Encefalopatia Crônica Não Progressiva da
Infância (ECNPI). Já a escala WeeFIM é um instrumento elaborado para avaliar a
independência funcional e desenvolvimento de crianças com distúrbios neurológicos e tem
como objetivo mensurar, de forma quantitativa, o esforço em executar tarefas pela criança.
Sendo assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar os níveis de independência funcional
e correlacionar com o perfil de QV de crianças com distúrbios neurológicos. Sob esse viés, a
pesquisa foi realizada em uma Clínica Escola de Fisioterapia de um Centro Universitário e em
um Centro Especializado em Reabilitação no sertão da Paraíba, com os pacientes atendidos no
setor de pediatria, totalizando onze indivíduos, dentre eles, foram selecionados, por
conveniência, crianças diagnosticadas com distúrbios de ordem neuromotora, tendo idade entre
dois e doze anos. A coleta de dados foi realizada por meio de um formulário semiestruturado
desenvolvido pelos pesquisadores, e, além deste, instrumentos validados foram utilizados,
como o CPCHILD e a escala WeeFIM, no qual ambos foram direcionados aos responsáveis das
crianças em estudo. Nesse sentido, os fatores descritos tornam heterogêneas as crianças
participantes, em seus níveis de independência e capacidades funcionais, bem como o seu perfil
de QV de acordo com os domínios analisados nos respectivos instrumentos. Além disso, foi
verificada uma extensiva ligação do fator idade gestacional, peso ao nascimento e índice de
APGAR com as capacidades funcionais das crianças, havendo uma variância de independência
entre as patologias, tipo de classificação topográfica e as habilidades motoras já adquiridas, em
que a ECNPI, associada à quadriparesia, apresentaram menores escores na escala WeeFIM,
demonstrando uma maior dependência e impacto negativo na QV quando comparadas às
demais afecções. Conclui-se, então, que a avaliação dos níveis de independência funcional das
crianças, como também o perfil de QV destas têm grande relevância, pois possibilita traçar
intervenções formuladas em suas necessidades e acompanhar a sua evolução com o tratamento,
enfatizando a efetiva utilização da escala WeeFIM e do instrumento CPCHILD, sendo
fundamental a reavaliação sempre que a criança alterar de padrão e comportamento, como
indício de evolução.
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