ERYTHRINA VELUTINA (MULUNGU) NO TRATAMENTO DA ANSIEDADE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Palavras-chave:
Plantas Medicinais, Fitoterapia, Práticas Integrativas Complementare, Sistema Nervoso Central, BenzodiazepínicosResumo
A ansiedade é um dos principais transtornos de saúde mental, afetando
aproximadamente 18,6 milhões de brasileiros, o que representa cerca de 9,3% da população,
segundo dados da Organização Mundial da Saúde. O tratamento convencional envolve, em sua
maioria, o uso de fármacos sintéticos, como os benzodiazepínicos, os quais, apesar de
apresentarem eficácia terapêutica, estão associados a diversos efeitos adversos, incluindo
sedação excessiva, prejuízos cognitivos, dependência química e sintomas de abstinência. Tais
efeitos colaterais comprometem a adesão ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes.
Nesse cenário, observa-se um crescente interesse por práticas integrativas e complementares
em saúde, especialmente aquelas que envolvem o uso de plantas medicinais com propriedades
ansiolíticas e menores riscos de efeitos adversos. Dentre essas alternativas, destaca-se a
Erythrina velutina, popularmente conhecida como mulungu, planta nativa do semiárido
brasileiro, tradicionalmente empregada no tratamento da ansiedade e da insônia. A composição
fitoquímica do mulungu inclui alcaloides e flavonoides com ação sobre o sistema nervoso
central, atuando especialmente nos receptores GABA, mecanismo farmacológico semelhante
ao dos benzodiazepínicos. Estudos pré-clínicos e clínicos indicam que a Erythrina velutina
possui efeito sedativo e ansiolítico, promovendo a redução dos sintomas ansiosos com menor
risco de dependência e efeitos colaterais, o que evidencia seu potencial terapêutico. O presente
estudo teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura para analisar as
evidências científicas sobre os efeitos ansiolíticos da Erythrina velutina (mulungu), com ênfase
na sua eficácia, segurança e aplicabilidade clínica no tratamento da ansiedade. A pesquisa
bibliográfica foi realizada em 2025, por meio das bases de dados SciELO, PubMed e Science
Direct. De um total de 202 artigos inicialmente identificados, 44 atenderam aos critérios de
inclusão e exclusão, resultando em uma seleção final de 10 estudos publicados entre 2020 e
2025. A maioria dos trabalhos analisados utilizou modelos experimentais em animais, os quais
reforçam os efeitos ansiolíticos da planta. Apesar dos resultados promissores, a escassez de
ensaios clínicos em humanos constitui uma limitação relevante para a consolidação do uso do
mulungu na prática médica baseada em evidências. Dessa forma, ressalta-se a necessidade de
novos ensaios clínicos randomizados e controlados para avaliar a segurança, a posologia
adequada e as possíveis interações medicamentosas da Erythrina velutina. Assim, o mulungu
representa uma alternativa terapêutica relevante para o manejo da ansiedade leve a moderada,
podendo ser incorporado às práticas integrativas e complementares em saúde mental,
promovendo abordagens mais seguras, eficazes e sustentáveis no cuidado aos indivíduos com
transtornos ansiosos.
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