PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS À SELETIVIDADE ALIMENTAR EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Palavras-chave:
Transtorno do Espectro Autista, seletividade alimentar, estado nutricional, intervenções nutricionais, saúde infantilResumo
A seletividade alimentar é uma condição frequentemente observada em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), caracterizada pela recusa persistente de determinados alimentos com base em aspectos sensoriais, como textura, cor, sabor e temperatura. Esse comportamento alimentar restritivo pode comprometer significativamente o estado nutricional e o desenvolvimento global da criança, exigindo atenção especializada e intervenções terapêuticas adequadas. Diante da relevância clínica e social desse fenômeno, torna-se essencial compreender seus determinantes e impactos para subsidiar condutas mais eficazes. Este estudo teve como objetivo analisar os principais fatores que influenciam a seletividade alimentar em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), bem como os impactos dessa condição sobre o estado nutricional e a ingestão de nutrientes essenciais. Para isso, foi realizada uma revisão integrativa da literatura científica publicada entre 2020 e 2024, por meio de buscas nas bases PubMed, Scopus e SciELO, com critérios rigorosos de seleção e análise crítica. A amostra final incluiu dez artigos relevantes, que abordaram a prevalência da seletividade alimentar, suas causas sensoriais, comportamentais e ambientais, além das consequências nutricionais. Os resultados indicaram que a seletividade alimentar em crianças com TEA é significativamente mais prevalente do que em crianças neurotípicas, sendo frequentemente associada à hipersensibilidade ou hipossensibilidade sensorial. Essas particularidades sensoriais levam à recusa de alimentos com determinadas texturas, sabores ou cores, resultando em dietas extremamente restritas. Como consequência, observam-se deficiências nutricionais importantes, especialmente de ferro, zinco, cálcio, vitaminas do complexo B, vitamina D e fibras, o que pode comprometer o crescimento, o desenvolvimento neurocognitivo e a saúde geral dessas crianças. A discussão dos achados reforça a necessidade de intervenções terapêuticas personalizadas e interdisciplinares, com a atuação conjunta de nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e fonoaudiólogos. Estratégias como adaptações dietéticas sensoriais e terapias comportamentais têm mostrado bons resultados na ampliação do repertório alimentar. Além disso, destaca-se a urgência do desenvolvimento de diretrizes clínicas padronizadas e de ferramentas sistemáticas de avaliação para o manejo da seletividade alimentar em TEA. Como considerações finais, o estudo evidencia a importância de priorizar essa temática nas políticas públicas de saúde e educação, promovendo ações voltadas à prevenção de déficits nutricionais e à melhoria da qualidade de vida das crianças com TEA e de suas famílias. A pesquisa também aponta a necessidade de mais estudos empíricos e longitudinais que aprofundem o conhecimento sobre os determinantes da seletividade alimentar e avaliem a eficácia das intervenções ao longo do tempo.
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