ENTRE APRENDER E ENSINAR: A EXPERIÊNCIA DO RESIDENTE DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE COMO PRECEPTOR NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE.
Palavras-chave:
Atenção Primária à SaúdeResumo
Introdução: A residência médica em Medicina de Família e Comunidade (MFC)
constitui uma estratégia fundamental de formação em serviço no âmbito da Atenção
Primária à Saúde (APS), na qual a preceptoria assume papel central na articulação entre
ensino e prática clínica. Nos modelos contemporâneos de formação médica, observa-se
crescente reconhecimento da atuação do residente como preceptor, favorecendo
processos de aprendizagem colaborativa e o desenvolvimento de competências
pedagógicas. Objetivos: Relatar a experiência de um residente do segundo ano de MFC
atuando como preceptor no acompanhamento das atividades práticas de estudantes de
Medicina do sétimo período na APS, analisando suas contribuições para a formação em
serviço e para a qualificação do cuidado. Métodos: Trata-se de um relato de experiência
desenvolvido em uma Unidade Básica de Saúde do município de Patos, sertão da Paraíba.
As atividades ocorreram semanalmente, integrando ações assistenciais e pedagógicas. Os
estudantes realizaram atendimentos clínicos supervisionados, com foco em doenças
crônicas não transmissíveis no turno da manhã e demandas espontâneas à tarde. A atuação
do residente incluiu supervisão indireta, discussão de casos clínicos, uso de metodologias
ativas, como o One Minute Preceptor, e oferta sistemática de feedbacks formativos.
Barreiras relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem foram identificadas e
analisadas de forma descritiva. Resultados: Observou-se protagonismo progressivo dos
estudantes na condução das consultas, com aprimoramento do raciocínio clínico,
organização da consulta e tomada de decisão. As discussões clínicas e os feedbacks
favoreceram aprendizagem reflexiva e autonomia discente. Para o residente, a experiência
contribuiu para o desenvolvimento de competências pedagógicas, comunicacionais e
organizacionais, apesar de desafios relacionados à limitação de tempo e à conciliação
entre demandas assistenciais e educativas. Conclusões: A atuação do residente como
preceptor mostrou-se uma estratégia viável e relevante para o fortalecimento da formação
médica na APS, promovendo integração ensino-serviço, qualificação do processo
formativo e desenvolvimento de competências docentes no contexto da residência em
MFC.
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