ACESSO À CIRURGIA BARIÁTRICA PELO SISTEMA ÚNICO DE SAUDE E SUAS COMPLICAÇÕES PÓS OPERATÓRIAS: UM ESTUDO NA POPULAÇÃO DE PATOS-PB
Palavras-chave:
Cirurgia bariátrica. Sistema Único de Saúde. Obesidade. Acesso aos serviços de saúde. Complicações pós-operatóriasResumo
A obesidade é uma condição crônica multifatorial de alta prevalência no Brasil, associada a diversas comorbidades e fortemente relacionada a desigualdades sociais. Nesse contexto, a Cirurgia Bariátrica (CB) se destaca como uma intervenção eficaz para casos de obesidade grave, contribuindo para a redução de riscos clínicos e para a melhoria da qualidade de vida. Apesar disso, o acesso ao procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) permanece limitado, especialmente em regiões do Nordeste e em municípios do interior, como Patos-PB, onde a ausência de centros especializados e a fragilidade do acompanhamento multiprofissional dificultam o processo de cuidado e ampliam as barreiras enfrentadas pelos pacientes. Este estudo teve como objetivo analisar as principais dificuldades de acesso à CB pelo SUS e identificar os desdobramentos clínicos e psicossociais relatados por pacientes no pós-operatório residentes em Patos-PB. A pesquisa, de caráter transversal, descritivo e de abordagem mista, foi realizada com 42 participantes que realizaram o procedimento entre 2020 e 2025. Os dados quantitativos foram tratados estatisticamente, enquanto os dados qualitativos foram organizados e interpretados por meio de análise temática. Os resultados apontaram predominância de mulheres e de indivíduos com baixa renda, indicando maior vulnerabilidade social entre os usuários que acessam a CB pelo SUS. Após a cirurgia, observou-se redução significativa do sedentarismo, evidenciando mudanças positivas de comportamento. Contudo, parcela expressiva dos participantes relatou complicações tardias, reforçando a necessidade de acompanhamento contínuo, especialmente no que se refere ao suporte nutricional e psicológico. Conclui-se que, embora o SUS seja a principal porta de acesso ao tratamento, persistem desafios estruturais que comprometem a integralidade do cuidado. O fortalecimento da rede regional, com ampliação da oferta e qualificação do acompanhamento multiprofissional, é essencial para garantir a manutenção dos resultados e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes submetidos à CB.
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