A IMPORTÂNCIA DO FEEDBACK NOS PROGRAMAS DE RESIDÊNCIA DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE
Palavras-chave:
Feedback; Preceptoria; Residência; Aprendizagem.Resumo
A Residência em Medicina de Família e Comunidade (MFC) constitui etapa fundamental para a consolidação de competências clínicas, comunicacionais e éticas voltadas à Atenção Primária à Saúde. Nesse contexto, o feedback destaca-se como estratégia pedagógica essencial, pois possibilita reflexão crítica sobre a prática, identificação de fragilidades e fortalecimento de habilidades profissionais. Entretanto, observa-se que muitos programas de residência ainda apresentam lacunas na oferta de feedback estruturado e periódico, o que pode comprometer o processo formativo e a qualidade da assistência prestada. Frente a isso, o objetivo do presente estudo foi de analisar, por meio de revisão narrativa da literatura, a importância do feedback nos programas de Residência em Medicina de Família e Comunidade, evidenciando suas contribuições para o desenvolvimento de competências profissionais e para o aprimoramento da prática clínica na Atenção Primária à Saúde. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com busca realizada em bases de dados nacionais e internacionais, incluindo PubMed, LILACS, SciELO, Google Scholar e Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Foram utilizados descritores relacionados a feedback, preceptoria e residência médica. Como critérios de inclusão consideraram-se publicações dos últimos cinco anos, disponíveis em português, inglês ou espanhol, com texto completo gratuito e pertinência temática. Excluíram-se editoriais, relatos sem fundamentação teórica e estudos voltados a outras especialidades. Após triagem por títulos, resumos e leitura integral, selecionaram-se dez artigos para análise qualitativa. Os resultados evidenciaram que o feedback, quando estruturado, contínuo e baseado em comportamentos observáveis, promove aprendizagem significativa, estimula autorreflexão e favorece o desenvolvimento de competências clínicas e comunicacionais. Também foi identificado que a ausência de formação pedagógica dos preceptores, a sobrecarga de trabalho e a falta de acompanhamento sistemático do residente configuram barreiras recorrentes. Estratégias como observação direta de consultas, role-play e metodologias ativas mostraram-se eficazes para potencializar o processo avaliativo-formativo. Destacou-se ainda a relevância de ambientes acolhedores, comunicação respeitosa e estabelecimento de vínculo de confiança entre preceptor e residente. Conclui-se que o feedback configura-se como ferramenta indispensável na formação em MFC, contribuindo para a qualificação do residente e para a melhoria da qualidade da atenção em saúde. Sua efetividade depende da capacitação didático-pedagógica do preceptor, da institucionalização de processos avaliativos regulares e da integração entre ensino e serviço. Investir na formação docente e na estruturação de programas de feedback contínuo mostra-se essencial para o fortalecimento da residência médica e para o desenvolvimento de profissionais mais críticos, reflexivos e competentes.
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