Vivência de Homens com Lúpus Eritematoso Sistêmico
Palavras-chave:
Lúpus Eritematoso Sistêmico, Doença Crônica, HomensResumo
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença multissistêmica de característica inflamatória crônica e autoimune, cuja etiopatogenia não é totalmente compreendida, no entanto, sabe-se que envolve fatores genéticos, hormonais e ambientais. A distribuição do LES é universal, sendo sua prevalência maior em mulheres e a mortalidade maior em homens. A evolução do processo de adoecimento reumático e a condição de cronicidade desencadeiam o aparecimento de incapacidades físicas e o comprometimento da dimensão psíquica, o que podem interferir na evolução, agravamento e no possível controle da doença. O objetivo do presente estudo foi compreender a dimensão psicossocial de pacientes masculinos diagnosticados com LES. Para tanto, foi feito um estudo qualitativo de caráter descritivo e exploratório, realizado no município de Patos-PB, Brasil, com 4 pacientes masculinos portadores de LES. Os pacientes foram selecionados pelo método do recrutamento, visto a escassez da forma de apresentação da doença nesse público. Foram realizadas entrevistas individuais por meio de um roteiro com perguntas norteadoras. A análise dos dados foi feita através da análise de conteúdo. Foram observados fatores que influenciam na dificuldade do diagnóstico e do tratamento, além das limitações e incapacidades funcionais trazidas pela doença. Os sentimentos vivenciados pelo LES variaram da reação ao diagnóstico, pelo fato de ser uma patologia incurável, até comorbidades psiquiátricas, como ansiedade, depressão e pensamentos suicidas. As redes de suporte relatadas para o enfrentamento das adversidades causadas pela patologia foram a família, os amigos e a religião. Com esse estudo, ficou evidente o quão é preciso reconhecer a subjetividade do paciente do mesmo modo em que se encara a doença em sua expressão física, pelo efeito de causalidade entre ambas, tendo em vista que os fatores psicológicos podem se caracterizar como fatores exacerbadores do lúpus. Esse reconhecimento pode prevenir exacerbações e desfechos desfavoráveis à vida, diminuir o sofrimento e promover uma melhor qualidade de vida ao doente.
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