SAÚDE BUCAL DE CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL: CUIDADO, ACESSO E QUALIDADE DE VIDA SOB A ÓPTICA DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS

Autores

  • NAOMY CRISTINA MEDEIROS DE SOUZA unifip
  • YANNA DANTAS DE MEDEIROS unifip

Palavras-chave:

Serviços de Saúde Bucal, Assistência Odontológica para a Pessoa com Deficiência, Paralisia Cerebral

Resumo


A paralisia cerebral (PC), também conhecida como encefalopatia crônica não progressiva,
representa um conjunto de desordens motoras e posturais ocasionadas por lesões cerebrais.
Diante das complexidades físicas e cognitivas associadas à PC, os pacientes podem enfrentar
maiores dificuldades quanto aos cuidados e ao acesso aos serviços odontológicos. Essas
dificuldades podem ser atribuídas às barreiras de acessibilidade física, arquitetônicas e de
comunicação, à falta de profissionais capacitados para lidar com as necessidades específicas
dos pacientes e à escassez de tecnologias assistivas no ambiente de atendimento. Nesse sentido,
este estudo objetivou compreender como se dá os cuidados em saúde bucal, o acesso aos
serviços odontológicos e a qualidade de vida relacionada à saúde bucal de crianças com PC sob
a óptica dos pais ou responsáveis. Trata-se de um estudo qualitativo, realizado no município de
Patos, Paraíba, Brasil, especificamente em uma clínica-escola de fisioterapia de uma instituição
de ensino superior. A amostra foi do tipo não probabilística, totalizando oito pais ou
responsáveis por crianças com PC. Os dados foram coletados por meio de entrevista
semiestruturada realizada por uma única pesquisadora treinada. Para coleta dos dados foi
empregado um roteiro avaliado por duas especialistas. As entrevistas foram gravadas em áudio
e, posteriormente, transcritas e validadas. Os dados foram analisados por meio da Análise de
Conteúdo Temática. O referencial teórico condutor das análises foi composto pelas Diretrizes
da Política Nacional de Saúde Bucal, Diretrizes de Atenção à Pessoa com Paralisia Cerebral e
Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência. Quatro categorias foram definidas nas
análises: (1) diagnóstico, sentimentos e limitações funcionais; (2) rede de apoio familiar nos
cuidados em saúde bucal; (3) acesso, acessibilidade e atendimento odontológico; e (4) impacto
da saúde bucal na qualidade de vida da criança e seus familiares. Os responsáveis relataram
sentimentos de choque, culpa e preocupação ao receber o diagnóstico, como também
dificuldades impostas pelas deficiências motoras e cognitivas, que comprometem a autonomia
das crianças e afetam diretamente a dinâmica familiar. A higiene oral foi descrita como um
desafio diário, devido à resistência das crianças e, em alguns casos, à falta de apoio adequado.
Além disso, foram apontadas barreiras no atendimento odontológico público, o que levou
muitos a buscarem serviços particulares. Esses fatores, somados às exigências de cuidados
especiais, resultaram em sobrecarga emocional e uma adaptação constante da rotina familiar.
Conclui-se que, a ampliação da acessibilidade, o fortalecimento do suporte familiar e a
qualificação dos profissionais são fundamentais para garantir um atendimento odontológico
mais inclusivo e eficaz. Apesar do impacto das condições bucais na qualidade de vida das
crianças e de seus familiares ter sido considerado baixo ou inexistente, serviços inclusivos
promovem melhorias na qualidade de vida dos indivíduos com PC.

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Publicado

2025-09-15

Como Citar

SOUZA, N. C. M. D., & MEDEIROS, Y. D. D. (2025). SAÚDE BUCAL DE CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL: CUIDADO, ACESSO E QUALIDADE DE VIDA SOB A ÓPTICA DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS. Repositório Institucional Do Unifip, 10(1). Recuperado de https://editora.unifip.edu.br/repositoriounifip/article/view/6465

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