MÃES DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: SOBRECARGA DE CUIDADO E ESTRATÉGIAS DE COPING
Palavras-chave:
Cuidado materno, Coping, Políticas públicas, Saúde mental, Transtorno do Espectro AutistaResumo
RESUMO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) impõe desafios significativos à dinâmica familiar, especialmente àquelas mães que assumem o cuidado primário. Este estudo teve como objetivo compreender as estratégias de enfrentamento utilizadas por mães de crianças com TEA residentes no Sertão da Paraíba, explorando os impactos subjetivos e contextuais da maternidade atípica. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada na Teoria Motivacional do Coping. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e questionário sociodemográfico com oito mães participantes, e a análise seguiu os preceitos da análise de conteúdo de Bardin. O perfil sociodemográfico das participantes revelou condições marcadas por baixa renda, escolaridade limitada e ausência de vínculos empregatícios formais. A maioria das mães está em união estável ou casada, com filhos diagnosticados entre os níveis 1 e 2 de suporte do TEA, o que exige cuidados contínuos e personalizados. Os dados demonstram que a sobrecarga emocional, física e social é intensa, sendo agravada pela insuficiência de suporte institucional e pela renúncia a aspectos individuais, como carreira, lazer e autocuidado. A maternidade, nesse contexto, assume contornos de dedicação exclusiva, frequentemente invisibilizada e atravessada por sentimentos de frustração, solidão e exaustão. Apesar das adversidades, identificaram-se estratégias adaptativas como reorganização da rotina, apoio espiritual e, em alguns casos, o amparo de redes sociais próximas. No entanto, tais estratégias revelam-se insuficientes quando não sustentadas por políticas públicas eficazes. A análise evidenciou que o coping, embora presente, não elimina os impactos do cuidado prolongado diante da negligência social e institucional. O estudo reforça a necessidade de escuta qualificada, acolhimento psicológico e políticas públicas intersetoriais que reconheçam a figura materna como sujeito de direitos. Recomenda-se a ampliação das redes de apoio e o desenvolvimento de intervenções baseadas no fortalecimento do coping materno. Estudos futuros podem considerar o papel de outros cuidadores e realizar análises longitudinais dos efeitos dessa vivência na saúde mental e qualidade de vida das mães.
Palavras-chave: Cuidado materno; Coping; Políticas públicas; Saúde mental; Transtorno do Espectro Autista.
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