ESTRATÉGIAS DE COPING E REDE DE APOIO NO ENFRENTAMENTO DO LUTO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
Palavras-chave:
Luto, Estratégias de coping, Rede de apoio, Enfrentamento, Saúde mentalResumo
O luto constitui um fenômeno humano universal, marcado por intensas transformações emocionais, sociais e espirituais. Embora seja uma resposta natural à perda, sua vivência é fortemente influenciada por fatores culturais, psicológicos e relacionais que interferem na capacidade de adaptação do indivíduo. Diante disso, as estratégias de coping e as redes de apoio se configuram como elementos essenciais para o enfrentamento saudável da perda e a reconstrução da vida após a morte de um ente querido. Este estudo teve como objetivo analisar as estratégias de coping e o papel das redes de apoio no enfrentamento do luto, considerando a influência das circunstâncias da morte, dos rituais de despedida, da religiosidade e dos vínculos familiares, sociais e profissionais no processo de elaboração da perda. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, com caráter descritivo e exploratório, realizada com dez participantes residentes no interior da Paraíba que vivenciaram perdas há, no mínimo, um ano. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas e analisados segundo a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin (2011), respeitando as etapas de pré-análise, exploração do material e interpretação dos resultados. A análise revelou quatro classes temáticas principais: o choque e as circunstâncias da perda, os rituais e a religiosidade, a rede de apoio e acolhimento e os significados e transformações vivenciadas após a perda. Os resultados indicaram que o enfrentamento do luto é um processo singular, permeado por fatores emocionais, espirituais e relacionais, e que a presença de suporte afetivo e o uso de estratégias adaptativas de coping favorecem a elaboração saudável da perda e a ressignificação da experiência. Constatou-se ainda que as redes familiares, sociais e profissionais exercem papel fundamental na redução do sofrimento e no fortalecimento da resiliência emocional, sendo indispensável a promoção de políticas públicas e práticas psicológicas que valorizem o acolhimento, a empatia e o apoio contínuo às pessoas enlutadas. Conclui-se que a integração entre apoio social, religiosidade e acompanhamento psicológico contribui para a reconstrução subjetiva do indivíduo e para a promoção do bem-estar emocional diante da inevitabilidade da morte.
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