O PROCESSO DE LUTO COLETIVO E AS NOVAS MODALIDADES DE DESPEDIDA: HISTÓRIA ORAL DE VIDA TEMÁTICA DE PROFISSIONAIS INTENSIVISTAS EM TEMPOS DE COVID-19
Palavras-chave:
Profissionais de Saúde, Covid-19, Saúde MentalResumo
A pandemia de COVID-19, reconhecida como uma emergência de saúde pública mundial, impôs uma elevada carga física e mental sobre os sistemas de saúde e seus profissionais, em especial a enfermagem, grupo de maior risco para o desenvolvimento de problemas de saúde mental. Nesse contexto, o distanciamento social e as restrições sanitárias limitaram os rituais tradicionais de despedida, tornando os profissionais intensivistas mediadores de um doloroso processo de luto coletivo. O estudo objetivou analisar o impacto na saúde mental dos profissionais intensivistas que atuaram no Complexo Hospitalar Regional Deputado Janduhy Carneiro em Patos-PB, frente aos rituais de luto e à transformação dos vínculos sociais durante a pandemia. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, utilizando a História Oral de Vida Temática com oito profissionais que atuaram na linha de frente. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e o material foi analisado a partir da Análise de Conteúdo, resultando nas categorias "O peso da morte e o abalo na saúde mental: o sofrimento silencioso dos que cuidam" e "Entre o isolamento e a reconstrução dos vínculos: a superação possível". A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do UNIFIP (CAAE: 91569225.0.0000.5181). O perfil dos participantes (majoritariamente feminino, com experiência consolidada e múltiplos vínculos empregatícios) é representativo da realidade da enfermagem brasileira. Os Resultados revelam um sofrimento coletivo, traduzido em exaustão, angústia, crises de ansiedade e sensação de impotência frente à alta mortalidade. O rompimento dos rituais tradicionais de despedida intensificou o luto, ao passo que o isolamento social ampliou a solidão dos profissionais. Conclui-se que a morte se manifestou como um fenômeno psíquica e socialmente disruptivo para os intensivistas. Contudo, as narrativas demonstraram um movimento resiliente de superação, em que a espiritualidade, o propósito ético do cuidado e o suporte familiar emergiram como pilares para a reconstrução emocional e a continuidade do trabalho.
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