PAPANICOLAOU EM TRANSGÊNEROS: O QUE AS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS APRESENTAM SOBRE A AVALIAÇÃO CITOLÓGICA EM HOMENS TRANS?
Palavras-chave:
Homens transgênero, Homens transgênerou, Papilomavírus Humano, Citologia, Rastreamento do câncer cervicalResumo
O exame de Papanicolau é um instrumento essencial para o rastreamento do câncer cervical e para a promoção da saúde sexual e reprodutiva de pessoas com canal vaginal e colo uterino, incluindo homens trans. Esta revisão sistemática teve como objetivo analisar criticamente as evidências científicas disponíveis acerca da avaliação citopatológica em homens trans, identificando práticas, desafios e lacunas na realização e interpretação dos exames. A busca foi conduzida nas bases PubMed, LILACS e SciELO entre setembro de 2024 e agosto de 2025, contemplando publicações entre 2014 e 2024, em português e inglês, sobre a realização ou análise de exames citopatológicos em homens trans, excluindo revisões, trabalhos acadêmicos, capítulos, editoriais, estudos in vitro, em animais ou sem relação direta com o tema. Dos 46 estudos identificados nas bases de dados, 9 atenderam aos critérios de inclusão, que evidenciaram alta prevalência de amostras citológicas insatisfatórias (variando entre 5,9% e 13%) e forte associação com o uso de testosterona, o qual induz atrofia epitelial e escassa celularidade, dificultando a detecção de displasias. As taxas de infecção por HPV também se mostraram expressivas, atingindo 38% entre homens trans. Além dos aspectos laboratoriais, identificaram-se barreiras psicossociais como experiências negativas com profissionais de saúde, ausência de acolhimento e uso de linguagem cisnormativa que reduzem a adesão ao rastreamento. Em contrapartida, estratégias como o fortalecimento do vínculo profissional-paciente e o uso de métodos alternativos, como a autocoleta para HPV, demonstraram potencial para ampliar o acesso e a aceitabilidade do exame. Conclui-se que a capacitação profissional contínua e a implementação efetiva de políticas inclusivas são fundamentais para aprimorar a qualidade do cuidado e garantir a equidade na atenção à saúde de homens trans. Nesse contexto, destaca-se a importância da Política Nacional de Saúde Integral LGBT (2011), que orienta práticas baseadas no respeito à diversidade e na promoção do acesso universal aos serviços de saúde.
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