Fisiopatologia e manejo adequado da tireotoxicose induzida por amiodarona
Palavras-chave:
Amiodarona, Manejo, TireotoxicoseResumo
A amiodarona é um medicamento da classe dos antiarrítmicos, com meia-vida longa, de 100 dias, além de grande volume de distribuição em diversos órgãos, o que potencializa a toxicidade e a abstinência ao fármaco. Uma dose de manutenção de 200 mg/dia de amiodarona fornece 7,5 mg de iodeto orgânico por dia. No entanto, a ingestão recomendada de iodo é de cerca de 0,2mg ao dia. Isso favorece a ocorrência de tireotoxicose, uma vez que o iodo é responsável pela síntese de hormônios tireoidianos. O manejo eficaz e imediato dessa condição é crucial para diminuir a taxa de mortalidade e evitar a evolução para uma tempestade tireoidiana. O objetivo deste trabalho foi entender o manejo adequado da tireotoxicose induzida por amiodarona. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada no mês de janeiro de 2024, com busca nas bases de dados da Scielo, Lilacs, MedLine e PubMed, utilizando como descritores em ciências da saúde: “Amiodarone”, “Management” e “Thyrotoxicosis”, cruzados pelo operador booleano AND. Ao total foram encontrados 619 estudos e, após os critérios de inclusão (artigos publicados no período de 2019 a 2024, na língua portuguesa e inglesa) e leitura completa, foram selecionados 10 estudos para a elaboração da presente revisão. A amiodarona se difunde em diversos sistemas orgânicos, causando toxicidade e limitando seu uso. A tireotoxicose induzida por amiodarona (AIT) pode ser classificada em dois tipos. A AIT do tipo 1 decorre no contexto de uma doença tireoidiana subjacente, muitas vezes não diagnosticada, como bócio nodular ou doença de Graves. A AIT do tipo 2 é caracterizada pela toxicidade da amiodarona à tireoide, sem patologia subjacente na glândula e também é conhecida como tireoidite destrutiva, devido aos efeitos tóxicos da amiodarona nos folículos tireoidianos, liberando os hormônios que lá estão armazenados. O tratamento da AIT inclui suporte hemodinâmico, ventilatório, corticoides, tioamidas e, em alguns casos, tireoidectomia total. É importante, ainda, salientar sobre a discussão entre a continuação ou a interrupção da amiodarona após a resolução da AIT. Dessa forma, sabe-se que é de fundamental importância saber identificar os tipos de AIT, a fim de propiciar ao paciente uma abordagem eficaz e imediata. Com isso, pode-se reduzir taxas de mortalidade, tempestade tireoidiana e sequelas a longo prazo. Ademais, é necessário individualizar cada conduta também no que diz respeito à continuação da amiodarona, considerando as comorbidades, gravidade das arritmias e chances de necessidade de um novo uso da droga futuramente.
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