Comunicação difícil na Atenção Primária à Saúde: estratégias para preceptores na formação de residentes em Medicina de Família e Comunidade
Palavras-chave:
Internato e Residência, Saúde da Família, Serviços de SaúdeResumo
A comunicação entre profissionais e usuários é elemento central para a qualidade do cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente diante de situações de comunicação difícil, como transmissão de más notícias, manejo de conflitos, recusa de prescrições inadequadas e acolhimento de sofrimento emocional. No contexto da Estratégia Saúde da Família, esses desafios também se estendem à comunicação interprofissional, impactando a coordenação do cuidado e o trabalho em equipe. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de revisão narrativa da literatura (2020–2025), estratégias para o manejo de situações de comunicação difícil na APS, com ênfase no papel da preceptoria na formação de residentes em Medicina de Família e Comunidade. Os estudos apontam que tais situações são frequentes e envolvem elevada carga emocional, divergência de expectativas e risco de ruptura do vínculo terapêutico. Modelos estruturados de comunicação, como SPIKES, Comunicação Não Violenta, Calgary-Cambridge, VALUE e Four Habits, oferecem suporte para organização do discurso clínico, validação emocional e tomada de decisão compartilhada. Entretanto, a literatura destaca que o domínio teórico desses modelos é insuficiente sem estratégias pedagógicas ativas. Simulação realística, dramatizações, observação direta da prática e feedback estruturado, mediadas pelo preceptor, favorecem o desenvolvimento de competências como empatia, escuta qualificada, negociação e manejo de emoções. Conclui-se que a comunicação difícil é competência clínica e pedagógica passível de ensino, e sua abordagem sistemática na residência, com preceptoria qualificada, é essencial para fortalecer práticas mais éticas, seguras e centradas na pessoa na APS.
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