A abordagem biopsicossocial da dor crônica e o uso racional de opioides na prática clínica da Atenção Primária à Saúde
Palavras-chave:
Dor crônica, Modelo biopsicossocial, Atenção Primária à Saúde, Opioides, Uso racional de medicamentos, Dor crônica não oncológicaResumo
RESUMO
A dor crônica representa um desafio clínico complexo, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), exigindo abordagens que transcendam o modelo biomédico tradicional. A redefinição contemporânea da dor proposta pela International Association for the Study of Pain reforça seu caráter multifatorial, resultante da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Nesse contexto, o modelo biopsicossocial emerge como referencial fundamental para o manejo da dor crônica, com implicações diretas para o uso racional de opioides. Este artigo consiste em uma revisão narrativa de caráter clínico, cujo objetivo é sintetizar evidências recentes sobre a abordagem biopsicossocial da dor e discutir suas implicações para o uso seguro e racional de opioides na prática da APS. Foram analisadas diretrizes internacionais, revisões sistemáticas, estudos clínicos e evidências de implementação publicados entre 2020 e 2026, com foco na dor crônica não oncológica e em desfechos orientados ao paciente. A literatura indica que os opioides apresentam benefícios analgésicos modestos a longo prazo e riscos relevantes, como dependência, eventos adversos e hiperalgesia induzida, o que sustenta seu reposicionamento como recurso terapêutico adjuvante, criterioso e temporário. Em contraste, intervenções fundamentadas no modelo biopsicossocial — incluindo educação em dor, exercício terapêutico e abordagens psicológicas — demonstram maior impacto sobre funcionalidade, coping e qualidade de vida. Conclui-se que a APS constitui cenário estratégico para a integração dessas evidências, permitindo o uso racional de opioides, a redução de iatrogenias e a qualificação do cuidado longitudinal centrado na pessoa.
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