O uso indiscriminado de metilfenidato e lisdexanfetamina por estudantes universitários para apererfeiçoamento cognitivo
Palavras-chave:
Estudantes universitários, Lisdexanfetamina, Metilfenidato, Psicoestimulantes, Uso indevidoResumo
O uso de substâncias psicoestimulantes por estudantes universitários tem se
intensificado nas últimas décadas, refletindo uma cultura de alta competitividade e exigência
por desempenho. Medicamentos como o metilfenidato e a lisdexanfetamina, originalmente
indicados para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH),
vêm sendo consumidos por indivíduos sem diagnóstico clínico, com o intuito de ampliar a
concentração, a resistência ao cansaço e a produtividade acadêmica. Essa prática, apesar de
crescente, suscita preocupações no campo da saúde coletiva, da bioética e da educação, devido
aos potenciais riscos à saúde física e mental dos estudantes. Diante desse cenário, este estudo
teve como objetivo analisar os impactos decorrentes do uso indiscriminado de metilfenidato e
lisdexanfetamina entre estudantes universitários, com foco no uso não terapêutico voltado ao
aprimoramento cognitivo. A pesquisa foi conduzida por meio de uma revisão integrativa da
literatura, permitindo reunir e avaliar criticamente estudos publicados entre 2019 e 2024, nas
bases SciELO, PubMed e LILACS. Os critérios de inclusão abrangeram artigos disponíveis na
íntegra, em português, inglês e espanhol, que abordassem diretamente o uso dessas substâncias
por universitários sem prescrição médica. Os resultados evidenciaram que, embora alguns
usuários relatem benefícios imediatos como aumento da concentração e maior tolerância ao
cansaço, os riscos associados ao uso não supervisionado dessas substâncias são significativos.
Entre os principais efeitos adversos destacam-se insônia, irritabilidade, taquicardia, perda de
apetite, ansiedade, depressão e potencial de dependência química. O uso indiscriminado de
metilfenidato e lisdexanfetamina também contribui para a medicalização da vida acadêmica e
pode comprometer o desenvolvimento integral do estudante, ao negligenciar aspectos
subjetivos, sociais e institucionais do processo educacional. Conclui-se que a banalização do
uso de psicoestimulantes no meio universitário demanda ações urgentes de conscientização e
prevenção. Estratégias como campanhas educativas, oferta de apoio psicológico institucional e
o fortalecimento de políticas de saúde mental no ambiente acadêmico são essenciais para
promover o uso racional de medicamentos e proteger o bem-estar dos estudantes.
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