PERFIL PSICOMÉTRICO, BIOQUÍMICO E ANTROPOMÉTRICO DE CICLISTAS DE MOUNTAIN BIKE, COMO PREDITOR DO OVERTRAINING
Palavras-chave:
Overtraining. Mountain bike. Avaliação física.Resumo
O overtraining é considerado uma síndrome causada por sucessivos estados de supertreinamento sem que o período de recuperação seja o adequado para restaurar as alterações provocadas pelo treinamento físico. Nesse sentido, algumas ferramentas têm sido desenvolvidas para detecção imediata do overtraining tanto em atletas federados quanto nos recreacionais, os quais, em sua maioria treinam sem acompanhamento de um profissional da educação física. O objetivo do estudo foi aplicar algumas ferramentas de detecção do overtraining com a finalidade de avaliar o perfil psicométrico, bioquímico, antropométrico de ciclistas de Mountain Bike, como preditores dessa síndrome. Trata-se de um estudo longitudinal. Participaram dez ciclistas de mountain bike, que treinam há dois anos ininterruptamente, e que não faziam uso de suplementos alimentares ou de medicamentos anti-inflamatórios. Os voluntários tiveram seu perfil psicométrico avaliado por meio do questionário de perfil de estado de humor (profile of mood states – POMS) e estresse-recuperação por meio do questionário de estresse e recuperação (REST-Q). O perfil bioquímico foi analisado por meio da concentração das enzimas creatina kinase (CK) e lactato desidrogenase (LDH), utilizadas para detecção do dano muscular. O perfil antropométrico foi avaliado por meio do registro do percentual e quilos de massa magra e gorda, e índice de massa corporal. Essas variáveis foram monitoradas no 1º, no 15º e 30º dia de treinamento. Os dados estão apresentados como média e desvio-padrão da média. Utilizou-se o teste ANOVA para medidas repetidas. Observa-se que segundo a escala POMS, no 30º dia em relação ao 1º os voluntários apresentaram maiores índices de depressão (3,4±2,8 para 5,4±2,2, p<0,05), de hostilidade (4,1±2,6 para 6,8±2,7, p<0,05) e fadiga (de 6,6±4,0 para 7,8±3,2, p<0,05). No questionário REST-Q os voluntários no 15º dia em relação ao 1º apresentaram maiores índices de conflitos/pressão (p=0,34), enquanto que as escalas de recuperação física (p=0,018), qualidade do sono (p=0,009) e autoregulação (p=0,002) modificaram no 30º dia em relação ao primeiro. Os parâmetros bioquímicos demonstram que a enzima CK estava com maior concentração no 15º dia em relação ao 30º e menor do que o primeiro (de 326,5 – 15º dia para 161,1 – 30º dia, 155,3 – 1º dia, p=0,023 e p=0,037). Quanto a LDH, observou-se que a concentração estava maior no 30º dia em relação ao 1º (de 144,0 – 30º dia para 153,625 – 1º dia, p=0,025). Não foram encontradas diferenças significantes quanto ao percentual e quilos de massa magra e gorda entre os dias de avaliação. Tomados em conjunto, os dados do presente estudo indicam que o treinamento intenso semanal realizado por ciclistas de mountain bike da cidade de Patos-PB encontram-se atualmente em um estágio inicial da síndrome do overreaching/overtraining podendo este fato estar atrelado a ausência de um planejamento prévio do treinamento físico diário.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 OZINEIDE SOUSA DANTAS DE ANDRADE

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.