A Invisibilidade do fracasso escolar masculino no Brasil: um ensaio teórico sobre a igualdade de gênero e seus desdobramentos educacionais
Palavras-chave:
fracasso escolar, gênero, meninos, igualdade, políticas educacionaisResumo
A igualdade de gênero consolidou-se, ao longo das últimas décadas, como um princípio orientador das políticas educacionais brasileiras, especialmente após a incorporação da transversalidade de gênero às agendas públicas internacionais. Contudo, esse avanço, embora fundamental para a democratização do acesso e promoção dos direitos das mulheres, produziu um efeito colateral pouco discutido: a invisibilidade do fracasso escolar masculino. Este ensaio teórico de abordagem qualitativa analisa historicamente a formação do conceito de igualdade — desde o Iluminismo até o gender mainstreaming — e discute como a interpretação unívoca da dominação masculina influenciou o modo como as desigualdades educacionais são percebidas e enfrentadas. Com base em dados recentes da PNAD Contínua e em produções acadêmicas das áreas de Educação e Ciências Humanas, argumenta-se que os meninos constituem hoje o grupo mais afetado por evasão, distorção idade-série, baixa aprendizagem e analfabetismo, embora permaneçam pouco contemplados pelas políticas públicas educacionais. O artigo sustenta que a ausência de um olhar plural sobre gênero na educação contribui para a manutenção e aprofundamento das desvantagens escolares masculinas, reforçando a necessidade de recolocar o tema no debate acadêmico e nas agendas políticas. Conclui-se que repensar a igualdade educacional requer reconhecer a complexidade das relações de gênero e considerar que diferentes grupos podem ocupar posições de vulnerabilidade dependendo do contexto analisado.
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